terça-feira, 2 de outubro de 2012

Uma forma de actuação diferente

São bastante conhecidas as capacidades atléticas dos gaiteiros, pois deles são esperadas caminhadas intermináveis pelas ruas, ruelas, atalhos e caminhos de cabras das mais variadas aldeias deste país. No entanto, algumas comissões de festas, têm desenvolvido algumas inovações no âmbito da mobilidade gaiteiral.
É comum, em aldeias que fazem festas com o apoio das circundantes, os gaiteiros serem transportados por veículos motorizados. Sei que neste momento estão a imaginar o transporte feito num carro, de aldeia em aldeia, onde saímos e fazemos a tão conhecida arruada. Pois bem, não é o que acontece. Por norma, o transporte é feito num "palco móvel", que consiste numa carrinha de caixa aberta munida de "confortáveis" sofás feitos à base de fardos de palha, material que nunca falta a uma comissão de festas.
O dia passa-se então a uma média de trinta quilómetros por hora. Na forte imaginação dos festeiros, com esta adaptação feita à forma de actuação gaiteiral, torna-se possível levar a mais lares um pouco de festa, mas na realidade, à velocidade que nos deslocam não se torna possível ao ouvido humano perceber sequer a modinha que o gaiteiro esta a interpretar.
Façamos agora uma pequena abordagem aos perigos que advêm desta forma de transporte. Antes de mais, constatemos o facto de que um fardo de palha solto numa carrinha de caixa aberta não é uma forma de bem acondicionar o gaiteiro. Primeiro porque não esta fixo ao chão, em segundo porque não tem cinto de segurança e terceiro porque o facto de o jovem ter as mãos ocupadas a tocar o impossibilita de tentar estabilizar o seu corpo com o auxilio destes membros. Agora a serio, tentem lá ir sentados num fardo de palha na parte de traz de uma carrinha, por estradas do interior do país, a uma velocidade que tem um crescimento exponencial equivalente ao grau de alcoolismo do festeiro designado como condutor, sem o auxilio das mãos para se agarrarem.  Vão por mim, não é uma tarefa fácil.

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