sábado, 6 de outubro de 2012

Perigos de vida


Como disse anteriormente, nem tudo são rosas na vida de um gaiteiro. Nesta publicação pretendo explanar um dos maiores perigos para a saúde do homem da gaita e dos seus companheiros.
Como devem saber, há duas coisas sem as quais não se pode realizar uma festa religiosa: o grupo de gaiteiros e os foguetes. Esta segunda presença obrigatória representa o que é provavelmente a maior ameaça à vida dos gaiteiros. Acredito inclusivamente que levará à sua extinção.
Como se não chegasse andar por estradas nacionais a tocar instrumentos bastante barulhentos, mas também doces e melódicos, que não permitem que sejamos alertados pelo sentido da audição para a aproximação de viaturas que nos podem ceifar a vida, vamos acrescentar um pouco de adrenalina à acção com a presença de explosivos. Sei que quem assiste à festa pensa que todos os perigos estão controlados. Afinal, é contratado um profissional para lançar os foguetes. A realidade, é que por norma a média de dedos por mão destes senhores é três, quando não têm o apelido "maneta". Mas o pior é que são raras as vezes que são contratados. A pergunta é: para quê pagar a alguém para fazer uma tarefa tão simples como lançar um foguete? Aqui se inicia a saga dos festeiros/fogueteiros amadores. Ou seja, não só não é segura a actividade quando feita por um profissional, como esta é feita a maioria das vezes por amadores. Pessoas que são aficcionadas por explosivos e também pelo consumo de álcool.
Até aqui tudo está a correr bem, os problemas começam quando se inventam formas alternativas ao lançamento do foguete, ou seja, brilharetes. Aqui enuncio três dos truques radicais, aos quais já assisti:
-Alvorada de rastilho único
Esta habilidade consiste em lançar uma larga quantidade de foguetes seguidos, acendendo uns com os outros.
-Foguete com meia cana
Neste truque o fogueteiro parte a cana do foguete ao meio, a cana que lhe confere estabilidade na subida, e lança-o aceso com o impulso rotativo do braço. (Ái meu Deus)
-150 metros foguete. (O nome deste truque é da autoria de Luis Serrano)
Por vezes, da parte da tarde, o fogueteiro sente a necessidade de fazer um breve jogging. Aproveita então para lançar um foguete em corrida. O homem desata a correr com um foguete acesso na mão e lança-o quando sente que é o momento.
Em futuros post's continuaremos a lista.

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Uma forma de actuação diferente

São bastante conhecidas as capacidades atléticas dos gaiteiros, pois deles são esperadas caminhadas intermináveis pelas ruas, ruelas, atalhos e caminhos de cabras das mais variadas aldeias deste país. No entanto, algumas comissões de festas, têm desenvolvido algumas inovações no âmbito da mobilidade gaiteiral.
É comum, em aldeias que fazem festas com o apoio das circundantes, os gaiteiros serem transportados por veículos motorizados. Sei que neste momento estão a imaginar o transporte feito num carro, de aldeia em aldeia, onde saímos e fazemos a tão conhecida arruada. Pois bem, não é o que acontece. Por norma, o transporte é feito num "palco móvel", que consiste numa carrinha de caixa aberta munida de "confortáveis" sofás feitos à base de fardos de palha, material que nunca falta a uma comissão de festas.
O dia passa-se então a uma média de trinta quilómetros por hora. Na forte imaginação dos festeiros, com esta adaptação feita à forma de actuação gaiteiral, torna-se possível levar a mais lares um pouco de festa, mas na realidade, à velocidade que nos deslocam não se torna possível ao ouvido humano perceber sequer a modinha que o gaiteiro esta a interpretar.
Façamos agora uma pequena abordagem aos perigos que advêm desta forma de transporte. Antes de mais, constatemos o facto de que um fardo de palha solto numa carrinha de caixa aberta não é uma forma de bem acondicionar o gaiteiro. Primeiro porque não esta fixo ao chão, em segundo porque não tem cinto de segurança e terceiro porque o facto de o jovem ter as mãos ocupadas a tocar o impossibilita de tentar estabilizar o seu corpo com o auxilio destes membros. Agora a serio, tentem lá ir sentados num fardo de palha na parte de traz de uma carrinha, por estradas do interior do país, a uma velocidade que tem um crescimento exponencial equivalente ao grau de alcoolismo do festeiro designado como condutor, sem o auxilio das mãos para se agarrarem.  Vão por mim, não é uma tarefa fácil.