Como é evidente eu e os meus colegas começamos a questionar os restantes festeiros sobre a actividade. Estes naturalmente responderam que era uma actividade nova lá na terra. Parece que um deles tinha estado lá para o norte, local de onde vêm muitas das tradições ás quais chamamos nossas, e tinha visto uma variante do que se estava prestes a passar. Pois bem, tinham sido vendidas rifas que na vez de terem um número tinham coordenadas. O papel que normalmente tem o número 227, tinha neste caso 22/H. Estas coordenadas eram lidas numa arena dividida como um tabuleiro de xadrez, tabuleiro este que estava feito com os pregos espetados no chão.
"Então mas qual é o prémio?", perguntamos nós. A resposta foi: é um porco. Sim, um porco vivo é um prémio bastante normal numa aldeia. Sei que seria bastante complicado para qualquer citadino saber o que fazer com um porco, mas para um aldeão a resposta é bastante simples: criá-lo e comê-lo.
O que torna o sorteio peculiar é a forma como nos é dada a conhecer a coordenada premiada. O porco é solto na arena e sem qualquer interferência humana, o habitante que possuir a rifa com a localização do excremento expelido pelo esfíncter anal do animal leva-o para casa. Sim, não é só no teatro que a merda dá sorte...
O problema é que o animal não estava com muita vontade e qualquer tentativa de incentivo, como assustar o porco por exemplo, era considerado batota. Ficámos então aproximadamente duas horas à espera que o porco defecasse. Mas tudo correu bem, o porco lá se aliviou, o vencedor levou-o para casa e a festa continuou dentro da normalidade.
Bem, ainda dizem que o povo português é triste, nós diverti-mo-nos a ver um porco cagar. Ninguém exige nada de especial, só que não nos chamem piegas quando damos o couro e cabelo para salvar o país da situação de merda em que nos puseram. Até a próxima...