domingo, 19 de fevereiro de 2012

Mas o porco nunca mais....? 2ªParte

Bem, tínhamos ficado no momento em que um dos festeiros iniciara uma actividade que me era desconhecida. O senhor, que até aquele momento me tinha parecido uma pessoa normal, começou a espetar pregos no chão a uma distancia regular uns dos outros. O que me pareceu mais curioso foi a meticulosidade com que era medida a distância que ficava entre cada prego.
Como é evidente eu e os meus colegas começamos a questionar os restantes festeiros sobre a actividade. Estes naturalmente responderam que era uma actividade nova lá na terra. Parece que um deles tinha estado lá para o norte, local de onde vêm muitas das tradições ás quais chamamos nossas, e tinha visto uma variante do que se estava prestes a passar. Pois bem, tinham sido vendidas rifas que na vez de terem um número tinham coordenadas. O papel que normalmente tem o número 227, tinha neste caso 22/H. Estas coordenadas eram lidas numa arena dividida como um tabuleiro de xadrez, tabuleiro este que estava feito com os pregos espetados no chão.
"Então mas qual é o prémio?", perguntamos nós. A resposta foi: é um porco. Sim, um porco vivo é um prémio bastante normal numa aldeia. Sei que seria bastante complicado para qualquer citadino saber o que fazer com um porco, mas para um aldeão a resposta é bastante simples: criá-lo e comê-lo.
O que torna o sorteio peculiar é a forma como nos é dada a conhecer a coordenada premiada. O porco é solto na arena e sem qualquer interferência humana, o habitante que possuir a rifa com a localização do excremento expelido pelo esfíncter anal do animal leva-o para casa. Sim, não é só no teatro que a merda dá sorte...
O problema é que o animal não estava com muita vontade e qualquer tentativa de incentivo, como assustar o porco por exemplo, era considerado batota. Ficámos então aproximadamente duas horas à espera que o porco defecasse. Mas tudo correu bem, o porco lá se aliviou, o vencedor levou-o para casa e a festa continuou dentro da normalidade.
Bem, ainda dizem que o povo português é triste, nós diverti-mo-nos a ver um porco cagar. Ninguém exige nada de especial, só que não nos chamem piegas quando damos o couro e cabelo para salvar o país da situação de merda em que nos puseram. Até a próxima...

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Mas o porco nunca mais....?

Não encontro melhor maneira para iniciar este episódio se não com a pergunta: Acreditam que já estive mais de uma hora à espera de ver um porco defecar?
Um dia quente de verão algures no meio da Serra da Rocha é o palco que acolhe este episódio. É de salientar que no mesmo local um ano depois toquei pela primeira vez com a rapaziada amiga Daniel, grande gaiteiro e João Pratas, grande gaiteiro, caicheiro, luthier e muito mais. Aqui lhes deixo um grande abraço. Mas vamos ao que interessa.
Qualquer festa que se preze possui uma quermesse. Esta consiste numa barraca feita à base de madeira, que embora pareça instável sobrevive sempre de ano para ano, o que prova a habilidade para a construção inata em qualquer festeiro. Munida de um toldo de plástico, torna-se o local onde são sorteados os mais fantásticos prémios, oferecidos pelos habitantes da aldeia. São estes que vão também tentar a sua sorte, o que prova a sua dupla generosidade. É bastante comum a existência de uma Dona Aurora que leva para casa a abóbora que ofereceu à quermesse porque lhe saiu o número 227 no papelinho amarelo da rifa. Papel este que desafia a habilidade e capacidade de quem o comprou na actividade de o desembrulhar. Não estou a brincar, as senhoras que embrulham os papeis das rifas levam o seu trabalho muito a sério, devia haver um estudo sobre isto... Bem, com a evolução dos tempos seria de esperar uma actualização na forma de angariação de verbas para a festa. Foi o que se verificou na Carapinheira da Serra.
As actividades festivas estavam a decorrer dentro da normalidade, quando naturalmente um dos festeiros inicia uma espécie de ritual que me era desconhecido.

Sim, a história vai ser terminada para a próxima. Eu disse que não tinha muito tempo...

O esperado reinício

Olá outra vez.
Peço desculpa pela longa ausência. Com as voltas que a vida dá, não tenho tido tempo para contar as histórias com que a vida me presenteou. Mas tudo isto está prestes a mudar.
Voltemos então à vida de um gaiteiro.