quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Uma história com um cavalo

Antes de mais aqui estão as minhas desculpas pela tão prolongada demora entre publicações, mas a vida assim mo obriga. Como devem calcular, uma vida ocupada pelas artes do bem gaitar não deixa espaço para muitas mais actividades, mas pouco a pouco cá vamos avançando com os relatos de anos de experiências vividas pelas aldeias do nosso país.
A história que hoje vos trago foi passada na grande localidade de Ceras e intitula-se: "A minha experiência pouco ortodoxa com cavalos". Como sabem, a festa de uma aldeia é sempre razão para tirar o cavalo do picadeiro e esticar as pernas ao bicho. Como não podia deixar de ser, Ceras não falhou neste ponto. Quando nos apresentamos pela manhã, junto ao pavilhão das festas, preparados para um dia normal de gaitadas pelas ruas, somos surpreendidos por uma pomposa charrete puxada por um belo corcel de tez alva.
É obvio que o inicio de mais um dia de trabalho cumpriu a tradição com a oferta de algo para beber. Inicia-se assim a relação de amizade entre o gaiteiro e o festeiro com alguns finos. Depois da bucha lá se começa a lavoura.
Que não iríamos tocar na charrete sendo puxados pelo belo animal já eu calculava, mas tão pouco me passaria pela cabeça que nos pusessem a abrir caminho para a sua passagem. É verdade, enquanto um dos festeiros guiava a charrete pelas ruas da aldeia, nos tocávamos grandes êxitos populares, como "O gaiteiro português" da Tonicha, ou o "Pimba Pimba" do grande artista Emanuel, abrindo alas para a sua passagem.
Tudo estava a correr bem, dentro do possível, até à hora de almoço. Depois de bem comido, e principalmente bem bebido, o grande condutor já não tinha as capacidades que outrora, numa época de sobriedade, possuíra. Enquanto indivíduo sentado numa viatura de tracção animal, que obviamente se pode deslocar bem mais rápido que o ser humano, o agora embriagado condutor já não tinha a noção de velocidade que o gaiteiro que seguia á sua frente desejava. Qual a minha surpresa quando sinto a suspirar do animal na minha orelha mesmo a meio da grande peça "O carrapito da dona Aurora".
Como disse, o animal até era bem bonito, mas foi nesse dia que se revelou uma certeza que a zoofilia não iria fazer parte da minha vida. O resto do meu dia foi então tentar não ser lambido por um cavalo que me seguia pelas ruas da aldeia de Ceras enquanto tocava belas melodias que atraiam a atenção dos abitantes para o grande espectáculo do qual fazia parte.
Aqui deixo o meu apelo:
Jovens que vão ás festas com cavalos. As pessoas que não estão montadas também existem e como é obvio não adquirem poderes fantásticos que lhes possibilitem comportar-se como um. E já agora, nem todos gostamos de estar mais que cinco minutos perto de um grande animal que cheira mal que se farta. Obrigado.

1 comentário:

  1. Olha lá oh Gaiteiro, tu estás a dizer que o meu animal favorito cheira mal que se farta, ou era só aquele em particular?! :D

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