De todas as histórias que me possa lembrar, o dia passado em Quimbres ficou-me especialmente gravado na memória.
Este episódio passou-se à pelo menos cinco ou seis anos, nessa altura fui tocar com o meu avô, o senhor "Ti Domingos" e o meu amigo Luís, personagens que estarão presentes em histórias futuras. Ora bem, o dia começou como sempre ás nove da manhã e fomos conhecer os "festeiros". Peço desculpa por não me lembrar dos nomes dos senhores mas já passou muito tempo. Os festeiros são uma "raça" de pessoas que habita nos meios rurais, tem hábitos sazonais pois ficam mais activos aquando a altura da adoração do Nosso Senhor, Nossa Senhora ou Santo/a padroeiro/a da sua aldeia e possuem o chamado "bazilhame", uma barriga extraordinariamente grande para acondicionar variados tipos de bebidas alcoólicas.
Após as apresentações fizemos uma arruada, que é um costume tradicional que consiste em dar a volta à aldeia a tocar e a provar uns "docitos" (bebida de senhora que só se bebe de manhã para "matar o bicho", tipo vinho do porto caseiro, jeropiga caseira e toda uma variada gama de licores mais uma vez caseiros). Depois da arruada fomos ao "solteiros-casados", um jogo de futebol entre os solteiros e os casados da aldeia onde os solteiros mostram as suas habilidades para arranjar parceira e os casados tentam mostrar que ainda são viris. O arbitro é por norma um senhor de bigode que sabe falar sobre futebol e o massagista é sempre um garrafão de tinto caseiro patrocinado pela "comissão de festas" (o grupo dos festeiros).
Depois do jogo fomos almoçar a casa de um dos festeiros e foi então que as coisas começaram a ficar estranhas. É certo que estava um dia de muito calor, mas começámos logo a estranhar o facto de a senhora que nos tinha servido o almoço sair a correr de casa com um alguidar de água a tentar molhar toda a gente. Tudo regressou à normalidade e fomos tomar café ao único café da aldeia, nós e uma panela gigante que foi colocada por baixo da máquina de cerveja do estabelecimento já com duas garrafas de vodka dentro. Enquanto tomávamos café, uma das senhoras da terra andava com uma garrafa de wiskey de boca em boca isto já molhada da cabeça aos pés ao estilo miss t-shirt molhada.
Foi nos então pedido que tocássemos uma "modinha" e partíssemos pelas ruas da aldeia com um bando de homens já molhados da cabeça aos pés a transportarem a panela da qual se bebia á concha. Percebemos que toda a aldeia estava a par do acontecimento e que acima de tudo preparados com mangueiras nas janelas de suas casas e piscinas insufláveis nos terraços para molhar toda a gente na rua, que por esta altura já se encontrava muito alcoolizada. O percurso foi feito com muita calma e com um crescente numero de participantes. A certa altura reparámos que um senhor na casa dos oitenta anos se encontrava completamente nu nas ruas da sua aldeia, mas toda a gente se encontrava calma e levaram o assunto com naturalidade.
Chegámos por fim ao "recinto de festas", o posto de comando da festa e onde actuam as bandas de baile, que tocam músicas de artistas de renome internacional como Quim Barreiros, Emanuel, Romana e muitos outros.
Para terminar em beleza demos um grandioso concerto com participação especial de alguns senhores da aldeia com o tema Samaritana. Lindíssimo.
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"Lindíssimo." LOLE!
ResponderEliminar(por acaso foi digno de se apreciar)
Pá, resolveste botar a boca no trombone?! (não, não comeces a cantar por favor :P)
Vais revelar ao mundo aquilo que poucos sabem e a maioria nem imagina?!
Que alguma entidade superior e divina nos guarde se "eles" descobrem! E parafraseando um amigo: "Tu sabes, tu sabes...Sim é mesmo, isso que estás a pensar...sim isso..."
Ora aí está um dos grandes dilemas dos Gaiteiros, Se não "provam" os licores caseiros, São uns copinhos de leite que nem precem Gaiteiros (e não o são na plenitude)se provam uma vez Têm de provar sempre... por vezes torna-se complicado terminar a jornada. Já pensei em inventar uma gaita com dois foles (um para a gaita e outro para depósito etílico).
ResponderEliminarTambem já apanhei um festeiro que nos "reteve" na adega a tocar umas modinhas e a provar o mesmo licor vezes sem conta.
Grande abraço e continua a divulgar os episódios ingratos, desta ilariande, mas muito incompreendida profissão.
Bruno Rainho - TOKANDAR